Linhas 8 e 9 já geraram mais de 2,4 mil empregos diretos desde 2022
Com vagas em manutenção, atendimento e operação, ViaMobilidade aposta também em formação profissional e desenvolvimento de carreira

Para muita gente em Barueri e nas cidades cortadas pela Linha 8-Diamante, o trem é o caminho para o trabalho. Mas a própria ferrovia também tem se transformado em oportunidade de emprego para milhares de moradores da região.
Desde 2022, as operações das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda já geraram mais de 2,4 mil empregos diretos. Aproximadamente 60% dos profissionais moram em regiões próximas às duas linhas, que passam por São Paulo, Osasco, Barueri, Carapicuíba, Jandira e Itapevi.
Só em 2025, a ViaMobilidade fez 843 contratações para diferentes funções, principalmente nas áreas de atendimento e manutenção.
As duas linhas são operadas e mantidas pela ViaMobilidade, integrante da Plataforma de Trilhos da Motiva, e empregam profissionais em áreas como manutenção, operação de trens, automação, segurança, atendimento e engenharia.
Uma carreira que começou na soldagem
Tatiana dos Santos, de 46 anos, é um exemplo de quem entrou para exercer uma função e encontrou espaço para seguir outro caminho dentro da empresa.
Ela chegou à ViaMobilidade no início de 2025, com formação em Soldagem pelo SENAI. Depois, fez cursos de Automação Industrial, Ultrassom e Partícula Magnética e aprendeu a trabalhar com o sistema SAP.
A sequência de formações levou a uma promoção. Hoje, Tatiana é técnica de automação na Oficina de Truques, onde opera máquinas eletrônicas usadas nos testes de alinhamento e balanceamento dos trens.
“Cheguei como soldadora, mas os gestores disseram que precisavam de mim na manutenção. Então, eu fui aprender de novo, do zero. Posso dizer com certeza que a ferrovia me fez renascer”, conta.
A mudança também mexeu com a vida fora do trabalho. Hoje, Tatiana mantém a casa e dois dos três filhos que moram com ela e já planeja cursar engenharia.
Dá para entrar sem experiência no setor
Nem todo mundo que chega à ferrovia já trabalhou com trens antes.
Francielly Godoy, Operadora de Trem, soube da vaga por uma amiga e resolveu tentar, mesmo sem experiência na área.
“Uma amiga falou dessa vaga, eu me inscrevi. Não tinha nenhuma experiência, era completamente fora da minha realidade. A empresa deu o treinamento e depois só precisou ter a habilitação de carro mesmo”, conta.
A formação prepara os novos profissionais para a operação dos trens. Godoy participou ainda de uma turma formada exclusivamente por mulheres.
“Foi bem legal. A gente faz tudo, porque ele é manual: acelera, freia, abre as portas, tudo.”
A experiência dela mostra uma das portas de entrada para um setor que reúne funções muito diferentes e nem sempre exige que o profissional chegue sabendo como funciona uma ferrovia.
Formação para começar uma nova profissão
Desde 2025, a ViaMobilidade mantém uma parceria com o SENAI-SP para oferecer cursos gratuitos de formação de Operador de Trem, Oficial de Manutenção, Técnico de Manutenção e Agente de Atendimento e Segurança.
Os participantes concluem os cursos com qualificação profissional e têm prioridade nas vagas abertas pela ViaMobilidade. No curso de Técnico de Manutenção, a contratação é garantida após a conclusão.
Foi por esse caminho que Edilson Oliveira da Silva Junior, de 32 anos, chegou à empresa. Antes, ele trabalhava no setor bancário. Em dezembro de 2025, participou da primeira turma do curso de Agente de Atendimento e Segurança.
“É incrível a didática e o acolhimento que o SENAI-SP tem com os alunos para que tenhamos nosso primeiro contato com o mundo da ferrovia”, afirma.
Hoje, Junior integra a equipe tática da ViaMobilidade, que atua em eventos e situações de grande movimentação de clientes.
Mais mulheres na manutenção
A parceria com o SENAI-SP inclui ainda o programa Mulheres Aprendizes na Manutenção, criado para aumentar a presença feminina em uma área ainda ocupada majoritariamente por homens.
Na primeira turma, 16 mulheres concluíram a formação e 13 foram efetivadas, uma taxa de 81,25%.
Atualmente, cerca de 36 mulheres participam do programa, e outras 20 jovens da segunda turma têm previsão de concluir a formação em dezembro.
A ViaMobilidade também já realizou turmas de formação de operadores de trem com presença feminina e uma turma afirmativa exclusiva para mulheres, ampliando as possibilidades de entrada em funções que por muito tempo tiveram participação predominantemente masculina.
Trabalhar mais perto de casa
A localização das vagas também faz diferença para quem vive na região oeste.
Hoje, cerca de 60% dos profissionais das Linhas 8 e 9 moram perto das operações. Entre os operadores de trem, esse índice é de 58%.
Em Osasco, por exemplo, mais de 400 pessoas foram contratadas em 2025. Para moradores de Barueri e das cidades vizinhas, encontrar uma oportunidade ao longo das próprias linhas pode significar menos tempo gasto no deslocamento e mais facilidade para organizar a rotina.
E a ferrovia oferece uma variedade de trabalhos que muita gente só descobre depois que entra: há profissionais cuidando de trens, trilhos, energia, automação, monitoramento, atendimento, segurança e várias outras áreas.
Para quem mora em Barueri ou nas cidades atendidas pela Linha 8, portanto, o trem pode fazer parte de dois momentos do dia: o caminho para o trabalho — ou o próprio trabalho.