Phishing com IA dificulta detecção de golpes em empresas
Ataques mais personalizados exigem atenção redobrada de equipes e gestores. Luiz Henrique Silveira, COO da ARX CYBER, explica como as organizações podem identificar vulnerabilidades e combinar tecnologia, processos e conscientização para reduzir riscos

O uso de inteligência artificial (IA) por criminosos digitais vem alterando o perfil do phishing, golpe que se vale de e-mails, mensagens e páginas falsas para obter senhas, dados bancários e outras informações confidenciais. Com textos mais bem escritos e ajustados a cada alvo, as fraudes ficaram mais difíceis de distinguir de comunicações legítimas, o que eleva a pressão sobre empresas e profissionais na hora de checar o que chega à caixa de entrada.
Para Luiz Henrique Silveira, COO da ARX CYBER, empresa especializada em cibersegurança corporativa, a tecnologia mudou a forma como os golpistas preparam suas investidas. "A inteligência artificial tornou os ataques de phishing mais sofisticados, personalizados e convincentes. Hoje, criminosos conseguem criar mensagens com linguagem natural, sem erros de português e adaptadas ao perfil das vítimas. Isso dificulta a identificação das fraudes e exige maior atenção dos usuários e das empresas", afirma.
O avanço aparece nas estatísticas internacionais. A sétima edição do Phishing Threat Trends Report, publicada em 30 de abril de 2026 pela empresa norte-americana de segurança digital KnowBe4, indica que 85,8% dos ataques de phishing monitorados nos seis meses anteriores empregaram IA em alguma etapa, índice superior aos 79,9% registrados em 2024 e aos 84% de 2025. O estudo, que acompanha mais de 3 mil agentes de ameaça, também identificou alta de 41% nas investidas pelo Microsoft Teams e de 49% nos golpes disparados por convites de calendário, modalidade que, segundo os pesquisadores, deve continuar em expansão nos próximos meses.
Rotina corporativa amplia a exposição
No ambiente de trabalho, segundo o executivo, a rotina acelerada, o excesso de e-mails e a falta de conscientização aumentam a exposição aos ataques. "Exemplos comuns incluem falsas solicitações de alteração de dados bancários, cobranças fraudulentas, links para atualização de senhas e mensagens que simulam comunicações de gestores ou fornecedores", detalha.
As consequências de um clique indevido vão além do incidente inicial. "Os impactos podem envolver vazamento de informações, roubo de credenciais, fraudes financeiras, comprometimento de sistemas e ataques de ransomware. Além dos prejuízos operacionais e financeiros, a organização pode sofrer danos à reputação e consequências relacionadas à LGPD", alerta Silveira, em referência à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, que estabelece obrigações para o tratamento de informações de clientes, colaboradores e parceiros.
Golpes digitais crescem no Brasil
O cenário doméstico segue a mesma direção. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os registros de estelionato por meio eletrônico passaram de 286.226 em 2024 para 346.753 em 2025, alta de 20,6% na taxa por 100 mil habitantes. O levantamento observa que os golpes mais frequentes no país recorrem à engenharia social, conjunto de técnicas de manipulação usadas para convencer a vítima a revelar dados, fornecer códigos de autenticação ou realizar transferências.
Diante desse quadro, o COO da ARX CYBER recomenda que as empresas meçam com regularidade a solidez de suas defesas. Segundo ele, é fundamental realizar avaliações periódicas de segurança, simulações de phishing, análise de vulnerabilidades e revisão dos controles de acesso. "Também é importante verificar a eficácia das ferramentas de proteção, do monitoramento e da capacidade de resposta a incidentes", pontua.
Proteção em múltiplas camadas
Para enfrentar abordagens mais sofisticadas, a companhia adota um modelo que integra diferentes frentes de defesa. "Na ARX CYBER, defendemos uma estratégia de segurança em múltiplas camadas, combinando proteção avançada de e-mails, autenticação multifator (MFA), soluções EDR/XDR, monitoramento contínuo por SOC 24x7 e inteligência de ameaças. A tecnologia precisa estar associada à conscientização dos colaboradores e a processos eficientes de resposta a incidentes", explica.
As soluções de detecção e resposta em endpoints (EDR) e estendida (XDR) acompanham o comportamento de dispositivos e sistemas, enquanto o centro de operações de segurança (SOC) mantém vigilância ininterrupta sobre o ambiente da empresa.
A leitura do executivo é que o tema ultrapassou os limites do departamento técnico e passou a integrar a agenda de gestão. "A segurança cibernética deixou de ser uma responsabilidade exclusiva da área de TI e passou a ser uma questão estratégica para os negócios. Com a evolução da IA, as empresas precisam investir continuamente em prevenção, monitoramento e capacitação. O maior desafio não é apenas bloquear ataques, mas desenvolver uma cultura de segurança capaz de reconhecer e responder rapidamente às ameaças", conclui Silveira.
Para mais informações, basta acessar: https://arxcyber.com.br/