Com 14 mil condomínios, portaria remota enfrenta desafios
Protocolos diferentes entre turnos, sistemas desconectados e liberações feitas por moradores podem comprometer o controle de acesso mesmo em prédios equipados

Mais de 14 mil condomínios brasileiros já utilizam portaria remota operada por centrais de monitoramento, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE). O avanço da solução traz à gestão condominial a necessidade de definir procedimentos claros para a entrada de visitantes e prestadores de serviço.
Fabiano Fernandes, especialista em segurança condominial e CEO do Grupo Bravo TE, afirma que a simples presença de equipamentos não garante a segurança se não houver protocolos padronizados, integração dos sistemas e adesão dos moradores às regras.
O primeiro ponto crítico são os protocolos de liberação. Quando cada turno ou porteiro adota critérios diferentes – por exemplo, ao receber um prestador não agendado ou uma visita inesperada – a portaria responde de forma distinta a cada situação, dificultando o controle e criando brechas de acesso.
A segunda fragilidade está na estrutura tecnológica. Câmeras instaladas em locais que geram pontos cegos, interfones afastados do posto de trabalho e, sobretudo, sistemas que não se comunicam entre si – cadastros de moradores em uma ferramenta, registro de visitantes em outra e planilhas para prestadores – exigem que a equipe reconcilie informações manualmente, aumentando o risco de erros e de inconsistências nos históricos de acesso.
Além da tecnologia, a qualificação da equipe é essencial. Operadores que desconhecem os protocolos ou não são treinados continuamente tendem a tomar decisões improvisadas diante de situações não previstas, como documentos incompletos ou comportamentos suspeitos. A falta de treinamento também afeta a capacidade de reconhecer tentativas de acesso indevido.
Os próprios moradores têm papel ativo na segurança. A liberação de terceiros sem a devida identificação ou o compartilhamento de senhas e tags enfraquece as medidas adotadas. Por isso, a comunicação interna deve explicar não apenas as regras, mas a importância de cumpri‑las.
Para mitigar esses riscos, Fernandes recomenda quatro ações para gestores de condomínios:
- Revisar periodicamente os protocolos de entrada e saída;
- Manter os cadastros de moradores, visitantes e prestadores sempre atualizados;
- Capacitar as equipes de portaria de forma contínua;
- Orientar os moradores sobre os procedimentos de segurança e sua relevância.
"A revisão dos procedimentos não deve ser pontual, pois o fluxo de pessoas, a adoção de novas tecnologias e a composição da equipe evoluem ao longo do tempo. Quando tecnologia, pessoas e processos são alinhados uns aos outros, a operação de portaria remota ganha eficiência e reduz vulnerabilidades", conclui Fernandes.