Chuvas aumentam risco de acidentes com animais peçonhentos
Escorpiões, aranhas e serpentes podem buscar abrigo em residências; Barueri orienta moradores sobre prevenção e atendimento

As chuvas e os alagamentos aumentam o risco de acidentes com animais peçonhentos. Escorpiões, aranhas e serpentes podem deixar seus abrigos em busca de locais secos e entrar em residências, onde se escondem em caixas, móveis, roupas, calçados e entulhos.
O alerta ganha relevância após os volumes registrados na cidade neste mês. Até esta quinta-feira (24), Barueri acumulou 464 milímetros de chuva em setembro, o equivalente a 521% da média mensal de 89 milímetros.
A média histórica considera 30 anos de dados da reanálise climática ERA5. O acumulado deste mês combina informações de estações meteorológicas e estimativas de satélite do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).
A Secretaria de Saúde de Barueri e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo recomendam atenção durante a limpeza de imóveis atingidos pela água. Os escorpiões costumam procurar locais escuros e úmidos, sobretudo onde encontram baratas e outros insetos para alimentação.
Embora representem risco à saúde, esses animais também exercem uma função no equilíbrio ambiental ao controlar populações de insetos e outros organismos. A orientação é evitar o contato e adotar medidas para impedir sua entrada nos imóveis.
Como prevenir acidentes
Quintais, jardins e áreas de serviço devem permanecer sem mato alto, lixo, folhas secas, madeira, restos de construção e objetos sem uso. Materiais armazenados devem ser mantidos em locais elevados.
Dentro das residências, a orientação é vedar ralos, frestas, rachaduras e buracos. A instalação de telas nas janelas e de proteção na parte inferior das portas também pode dificultar a entrada dos animais.
Roupas, toalhas e calçados precisam ser sacudidos e examinados antes do uso. Camas devem permanecer afastadas das paredes sempre que possível, sem lençóis ou cobertores encostados no chão.
Durante a limpeza de imóveis alagados, recomenda-se usar botas e luvas resistentes. As mãos não devem ser colocadas diretamente em buracos, sob móveis, em entulhos ou entre materiais empilhados.
Ao caminhar por áreas verdes ou manusear madeira, pedras, telhas e outros objetos acumulados, é indicado usar calçados fechados e luvas.
O que fazer em caso de picada
Em caso de suspeita de picada de escorpião, a pessoa deve procurar atendimento médico imediatamente, mesmo que o animal não tenha sido localizado. A orientação é não recorrer a receitas ou tratamentos caseiros nem esperar o agravamento dos sintomas.
Em Barueri, os casos podem ser atendidos no Pronto-Socorro Adulto do Sameb, localizado na rua Professor João da Mata e Luz, 262, no Centro, ou no Hospital Municipal Dr. Francisco Moran, na rua Ângela Mirella, 354, no Jardim Barueri. As unidades são referências para avaliação médica e aplicação de soro, quando houver indicação.
O estado de São Paulo conta com 246 pontos de atendimento para acidentes com animais peçonhentos. A unidade mais próxima pode ser consultada no mapa da Secretaria de Estado da Saúde.
Quem encontrar um escorpião deve acionar o Departamento de Controle de Zoonoses de Barueri pelo telefone (11) 4198-5679. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. O órgão fica na rua Anhanguera, 200, no Centro.
Plano estadual para eventos climáticos
As orientações estaduais fazem parte do Plano de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño, criado para organizar a atuação da rede diante de cenários climáticos e epidemiológicos.
Em São Paulo, o fenômeno pode provocar irregularidade na distribuição das chuvas e favorecer temporais, vendavais, alagamentos, enchentes e deslizamentos, sobretudo na primavera e no verão. O planejamento também considera ondas de calor, queimadas, arboviroses, acidentes tecnológicos e o isolamento de comunidades.
Elaborado com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems-SP), o documento estabelece três níveis de atuação: mobilização, alerta e emergência.
A estratégia prevê o acompanhamento de alertas meteorológicos, indicadores de saúde e qualidade da água. Também inclui o mapeamento de unidades instaladas em áreas de risco e a definição de rotas alternativas para manter o atendimento.
O plano determina ainda o monitoramento dos estoques de medicamentos, insumos e soros antivenenos. Entre os serviços considerados prioritários estão urgência, terapia intensiva, assistência a gestantes e recém-nascidos, diálise, oncologia, oxigenoterapia domiciliar e acompanhamento de pacientes com doenças crônicas.