Eclipse parcial da Lua poderá ser visto em todo o Brasil nesta quinta-feira (27)
Fenômeno começa às 23h34, atinge o ponto máximo à 1h13 de sexta (28) e poderá ser acompanhado a olho nu

Um eclipse parcial da Lua poderá ser observado em todo o território brasileiro a partir das 23h34 desta quinta-feira (27), no horário de Brasília. O fenômeno alcançará o ponto máximo à 1h13 de sexta-feira (28), quando 96,2% do satélite estará encoberto pela sombra da Terra.
A fase parcial terá duração de 3 horas e 18 minutos e terminará às 2h52. O eclipse penumbral seguirá até as 4h02.
Segundo a astrônoma Josina Oliveira do Nascimento, do Observatório Nacional, o fenômeno ocorre quando a Lua entra na sombra projetada pela Terra devido à incidência da luz solar.
“Sempre existe a sombra da Terra no espaço, porque o Sol está sempre iluminando a Terra, mas a Lua nem sempre entra nessa sombra”, explicou. “A Lua vai entrar na sombra da Terra e tudo acontece por conta dessa questão da sombra. Todos os corpos que não são pontuais, recebendo uma fonte de iluminação, têm duas sombras. Uma mais clara, que a gente chama de penumbra, e uma mais escura, que é a umbra.”
Como ocorre o eclipse
Os eclipses lunares acontecem durante a Lua cheia, mas não se repetem todos os meses porque a órbita do satélite tem uma inclinação de cerca de cinco graus em relação ao plano da órbita da Terra ao redor do Sol.
“Se o plano de órbita da Lua em torno da Terra fosse o mesmo do plano de órbita da Terra em torno do Sol, toda Lua cheia teria eclipse, mas acontece que não, porque a Lua faz um plano de órbita que é inclinado em 5 graus em relação ao outro”, afirmou Josina.
O formato do fenômeno depende da porção da Lua que atravessa as duas regiões da sombra terrestre. Segundo a astrônoma, em 2027 haverá dois eclipses apenas penumbrais.
“No ano que vem, vamos ter dois eclipses só penumbrais. A Lua vai passar só pela penumbra e vai sair”, disse.
Mudança ficará visível às 23h34
A Lua entrará na penumbra às 22h24, mas a alteração em seu brilho ainda será difícil de perceber nesse primeiro momento. A mudança começará a ficar visível às 23h34, quando o satélite tocar a umbra, parte mais escura da sombra.
“A gente sabe que ela está lá, porque às 22h24 vai entrar na penumbra, mas entre 22h24 e 23h34, que é a hora que ela vai começar a entrar na umbra, a gente vai olhar para a Lua e vai ver iluminada igualmente. Não dá para perceber nenhuma diferença olhando para ela. Agora, quando for 23h34, aí começa a perceber a diferença”, explicou.
De acordo com Josina, os horários são calculados com base nas posições do Sol, da Terra e da Lua.
“É isso que define a luminosidade. É a mesma coisa de quando a gente sabe exatamente a hora em que a Lua entrou na Lua cheia, no quarto minguante e no quarto crescente. Cada mês tem um horário diferente. O que a gente precisa para saber disso é a posição do Sol, da Terra e da Lua, porque o que a gente está vendo é consequência desse triângulo”, afirmou.
Durante o eclipse, uma área escura começará a cobrir a superfície lunar e formará uma espécie de “mordidinha”. No ponto máximo, a Lua poderá apresentar uma tonalidade avermelhada.
“Quando ela estiver 96,2% tomada, vai começar a sair da umbra e tomar uma tonalidade avermelhada. Logo depois vai sair.”
Observação dispensa equipamentos
Diferentemente do eclipse solar, o lunar pode ser acompanhado a olho nu, sem filtros ou óculos de proteção. A visibilidade dependerá das condições meteorológicas em cada região.
“No caso desse eclipse, o Brasil todo vai ver e com a Lua bem alta. A única coisa que vai fazer com que você não veja o eclipse é se chover ou ficar nublado”, disse a astrônoma.
Nas regiões com fuso diferente do horário de Brasília, será necessário ajustar os horários ao relógio local. O fenômeno, porém, ocorrerá simultaneamente em todo o país.
“Quem estiver no fuso de menos 4 horas, diminui 1 hora dos horários [previstos para os movimentos]. O instante é o mesmo, mas a hora no relógio é diferente.”
Segundo o Observatório Nacional, o eclipse pertence ao Saros 138, ciclo de aproximadamente 18 anos relacionado à repetição de eventos com características semelhantes.
Observatório fará transmissão ao vivo
O Observatório Nacional transmitirá o eclipse em seu canal no YouTube a partir das 23h, em uma edição do programa “O Céu em sua Casa: observação remota”. A cobertura será encerrada às 4h02, ao fim da fase penumbral.
Confira os horários no fuso de Brasília:
23h: início da transmissão;
23h34: começo da fase parcial;
1h13: ponto máximo, com 96,2% de obscurecimento;
2h52: fim da fase parcial;
4h02: término do eclipse penumbral e da transmissão.