Brasil chega a 36,6 milhões de idosos em 2026
População com 60 anos ou mais deverá alcançar 61,5 milhões nas próximas duas décadas, enquanto país amplia políticas e serviços voltados ao cuidado domiciliar.

O Brasil chega a 2026 com 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e deverá alcançar 61,5 milhões nas próximas duas décadas. Os números foram apresentados pelo Ministério da Saúde em setembro e dimensionam uma transformação que começa a modificar não apenas o sistema de saúde, mas também a forma como o país organiza o cuidado, a assistência social e o apoio às famílias.
Segundo o Ministério, a população idosa brasileira cresce, em média, cerca de 1,1 milhão de pessoas por ano e já representa aproximadamente 17% dos habitantes do país. Além disso, 81,4% das pessoas idosas utilizam exclusivamente o Sistema Único de Saúde (SUS).
O avanço da longevidade ocorre ao mesmo tempo em que o Brasil começa a estruturar novas respostas para pessoas que necessitam de ajuda nas atividades cotidianas. A Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei nº 15.069/2024, estabeleceu o cuidado como um direito e definiu a corresponsabilidade entre Estado, famílias, setor privado e sociedade civil. Entre os públicos prioritários estão pessoas idosas que precisam de assistência, apoio ou auxílio para atividades da vida diária.
A mudança de abordagem é relevante porque envelhecimento não significa, por si só, dependência. O Ministério da Saúde, ao tratar da saúde da pessoa idosa, destaca que a idade cronológica ou a presença de doenças crônicas não implicam necessariamente perda de autonomia e independência. A capacidade funcional, o contexto de vida, as condições de saúde e a rede de suporte são alguns dos elementos que precisam ser considerados.
Para Bruno Butenas, fundador da Geração de Saúde, essa diferença precisa estar presente também nas decisões tomadas pelas famílias.
“O crescimento da população idosa não significa que todas essas pessoas passarão a precisar do mesmo tipo de assistência. Há quem mantenha uma rotina independente por muitos anos e há quem precise de apoio em determinadas atividades, por um período ou de forma contínua. O cuidado precisa acompanhar a necessidade real da pessoa e preservar aquilo que ela continua conseguindo e desejando fazer sozinha”, afirma Butenas.
Uma das respostas recentes do poder público está justamente no atendimento dentro de casa. Em março de 2026, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome iniciou o projeto-piloto Cuidado em Casa em Fortaleza (CE), Colombo (PR) e Juazeiro (BA). A primeira etapa prevê aproximadamente 300 pessoas atendidas em cada município e testa um modelo integrado de atendimento domiciliar para idosos que necessitam de apoio em atividades cotidianas, incluindo suporte aos familiares que exercem o cuidado de forma não remunerada.
O SUS também passou a contar com o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil). Instituído no fim de 2025 e implementado na Atenção Primária à Saúde, o programa é direcionado a pessoas com 60 anos ou mais restritas ao domicílio, especialmente aquelas com limitações funcionais, condições crônicas, fragilidade ou maior vulnerabilidade clínica e social. O atendimento envolve equipes multiprofissionais, avaliação das necessidades no domicílio e orientação às famílias e pessoas cuidadoras.
A expansão desse debate não ocorre apenas no Brasil. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde abriu consulta pública sobre os primeiros padrões globais para cuidados de longa duração. A proposta contempla desde o cuidado realizado em casa e na comunidade até formação da força de trabalho, apoio a cuidadores não remunerados, financiamento, governança e avaliação da qualidade.
De acordo com a OMS, aproximadamente dois terços das pessoas que chegam à velhice precisarão de algum tipo de cuidado ou apoio de terceiros em algum momento. O dado é uma estimativa global e não deve ser aplicado diretamente à população brasileira, mas mostra por que os cuidados de longa duração passaram a ocupar espaço crescente nas discussões internacionais sobre envelhecimento.
Esse apoio pode assumir diferentes formatos. Algumas pessoas podem necessitar de auxílio temporário após uma internação ou cirurgia. Outras mantêm grande parte da autonomia, mas encontram dificuldade em tarefas específicas, como tomar banho com segurança, preparar refeições, sair de casa ou comparecer a consultas. Há ainda situações em que alterações cognitivas ou de mobilidade exigem acompanhamento mais frequente.
A tendência de ampliar serviços domiciliares também muda a discussão sobre quem cuida. Durante décadas, grande parte dessa responsabilidade permaneceu concentrada dentro das famílias. A Política Nacional de Cuidados passou a reconhecer formalmente tanto quem necessita de assistência quanto quem exerce o cuidado, incluindo trabalhadores remunerados e familiares que desempenham essa função sem remuneração.
Butenas observa que a organização antecipada pode tornar esse processo mais gradual.
“Muitas decisões sobre cuidado acabam acontecendo depois de uma queda, de uma internação ou de uma mudança repentina na rotina. Quando a família conversa antes sobre preferências, limitações e possibilidades de apoio, há mais condições de adaptar o cuidado sem transformar a pessoa idosa em alguém que deixou de participar das próprias decisões”, diz.
A projeção de 61,5 milhões de pessoas idosas nas próximas duas décadas indica que o cuidado tende a deixar de ser uma questão restrita a determinadas famílias para ocupar espaço cada vez maior na organização dos serviços públicos, das comunidades e do mercado de trabalho. O desafio será ampliar as redes de apoio sem tratar longevidade como sinônimo de incapacidade.
A Geração de Saúde atua com cuidadores para pessoas idosas em diferentes situações de acompanhamento, incluindo atendimento domiciliar, consultas, exames e internações. O cuidador pode apoiar atividades cotidianas e a organização da rotina, respeitando suas atribuições e sem substituir profissionais responsáveis por diagnóstico, prescrição ou procedimentos de saúde.
Mais informações sobre as modalidades de acompanhamento estão disponíveis no site www.gscuidadoresdeidosos.com.br.