Caixa inicia greve nacional nesta quinta-feira (10); Banco do Brasil tem paralisação parcial
Impasse sobre o custeio dos planos de saúde levou trabalhadores a rejeitar propostas apresentadas pelos bancos

Funcionários da Caixa Econômica Federal iniciam nesta quinta-feira (10) uma greve nacional por tempo indeterminado. No Banco do Brasil, a paralisação ocorre apenas nas bases sindicais que rejeitaram a proposta apresentada pela instituição e aprovaram a suspensão das atividades.
O movimento ocorre após a assinatura da convenção coletiva da categoria bancária, nesta quarta-feira (9). O acordo prevê reajuste salarial correspondente à inflação medida pelo INPC entre setembro de 2025 e agosto de 2026, acrescida de ganho real de 0,6%.
O mesmo índice será aplicado ao vale-alimentação, ao vale-refeição e ao auxílio-creche. O percentual definitivo será conhecido na sexta-feira (11). O texto também mantém o pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados).
O impasse com os dois bancos públicos está relacionado ao custeio dos planos de saúde oferecidos aos funcionários.
Proposta do Saúde Caixa é rejeitada
Atualmente, os empregados da Caixa pagam 3,5% do salário-base pelo plano, além de R$ 480 mensais por dependente. Para beneficiários com idade entre 24 e 27 anos, a cobrança é de R$ 800.
A proposta apresentada pelo banco elevaria a contribuição para 5,5% do salário-base. O valor por dependente passaria a R$ 870 e, no caso daqueles entre 24 e 27 anos, chegaria a R$ 1.050.
Em assembleias realizadas pelo país, 93 bases sindicais aprovaram a greve. Outras 35 rejeitaram a proposta, mas decidiram manter as negociações sem aderir à paralisação. Nas demais, o texto foi aceito.
Segundo Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a proposta não obteve apoio suficiente entre os trabalhadores.
“A expressiva rejeição da proposta nas assembleias realizadas em todo o país demonstra que ela está muito distante das necessidades e das expectativas dos trabalhadores da Caixa. A principal preocupação é com o Saúde Caixa, uma questão que precisa ser tratada com a complexidade e o cuidado que necessita”, diz Neiva.
A Caixa informou, em nota, que “mantém aberto o diálogo com as entidades representativas dos empregados e segue comprometida com a renovação do acordo coletivo de trabalho”.
“O objetivo é construir um entendimento que contemple os interesses de todas as partes envolvidas, com foco na valorização dos empregados, na sustentabilidade da instituição e na continuidade da prestação de serviços à sociedade”, afirma o banco.
Banco do Brasil tem adesão parcial
No Banco do Brasil, as assembleias tiveram resultados diferentes conforme a base sindical. A discussão também envolve o financiamento do plano de saúde dos funcionários.
A proposta prevê um aporte de R$ 360 milhões para manter o plano até novembro. O texto foi aprovado por 39 sindicatos, entre eles os de São Paulo, Curitiba, Campo Grande, Niterói e Jundiaí.
Outras 60 entidades rejeitaram a oferta e optaram pela continuidade das negociações. Esse grupo inclui as bases de Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis.
Em 27 sindicatos, os trabalhadores decidiram iniciar a greve nesta quinta. A paralisação inclui bases de Minas Gerais, Bahia, Ceará e Piauí.
O Banco do Brasil afirmou que participa da mesa única da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e mantém uma negociação específica para discutir as reivindicações de seus empregados.
“Para a data-base de 2026, foram realizadas várias rodadas de negociação, que resultaram na proposta apresentada às entidades sindicais e aprovada em diversas assembleias em todo o país”, diz a nota.
Canais digitais são alternativa durante a greve
O Banco do Brasil orienta os clientes a utilizar o aplicativo, o internet banking e os correspondentes bancários durante a paralisação.
O atendimento também está disponível pelos telefones 4004-0001, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-729-0001, para as demais localidades. O contato pelo WhatsApp é feito pelo número (61) 4004-0001.