Cultura

Silô Moreno: “A gente está num momento tão de ódio, e por que não falar de amor?”

Ator e diretor fala ao Jornal de Barueri sobre criação de vídeos, a relação com o público e o vínculo com a cidade

Silô Moreno sentado em um banco, sorrindo e segurando uma caneca, com o retrato inteiro em composição horizontal.
Ator e diretor, Silô Moreno fala ao JB sobre criação, sentimentos e sua relação com Barueri. · Foto: Arquivo pessoal

Um fone e um microfone, presentes do pai quando tinha quatro ou cinco anos, foram os primeiros instrumentos de Silô Moreno para brincar de imitar locutores de rádio. A comunicação se tornou o caminho profissional do ator e diretor, que hoje aposta em vídeos sobre amor, saudade e relações humanas para se aproximar do público nas redes sociais.

Em entrevista ao Jornal de Barueri, Silô conta que busca inspiração em textos e mensagens que encontra na internet ou recebe de outras pessoas. Na realização, procura uma linguagem visual próxima à das séries, com enquadramentos e câmera de cinema. O objetivo, diz, é tocar quem está do outro lado da tela. Seu trabalho pode ser acompanhado no Instagram, pelo perfil @silomoreno (https://www.instagram.com/silomoreno/).

O artista também fala sobre os desafios de dedicar tempo aos próprios projetos e sobre sua relação com Barueri, que chama de “minha terra, meu lugar”. Confira os principais trechos da conversa.

Jornal de Barueri — Como começou sua trajetória na comunicação?
Silô Moreno — Quando eu tinha quatro ou cinco anos, meu pai me deu um fone e um microfone. Comecei a imitar os locutores de rádio. Nunca fiz nada além de comunicação, sempre trabalhei com isso. As referências de pessoas que admiro, que me fizeram pensar e raciocinar ao longo da vida, ajudaram a desenvolver minha arte.

JB — Por que escolheu falar de amor nos vídeos?
Silô — Sou uma pessoa muito intensa, de coração e de muitos sentimentos. Nem tudo que gravo são experiências que vivi, mas tudo que gravo são coisas com que meu coração concorda. Foi isso que me levou a pensar: a gente está num momento tão de ódio, e por que não falar de amor?

JB — Como escolhe os textos e constrói a linguagem das cenas?
Silô — Os textos vêm muito de recortes da internet, de uma postagem, de uma frase que acho legal, ou de algo que alguém me manda. Como diretor, procuro fazer um enquadramento de série, usar uma câmera de cinema para falar de amor e tocar mais as pessoas.

JB — Amor e saudade são temas muito presentes no cotidiano. Como procura abordá-los?
Silô — Todo mundo perdeu um grande amor, seja uma mãe, um pai, um irmão, um amigo ou o amor da vida. Não vejo como uma questão de não cair em clichê, porque o amor é clichê. É olhar para a realidade da vida, para o hoje e para o que as pessoas estão sentindo. Eu já perdi grandes amores.

JB — Que cuidados toma ao adaptar textos de outros autores?
Silô — Como diretor e roteirista, priorizo muito a autorização. Deixo o arroba de todo mundo que cito. Em alguns casos, peço autorização antes, converso pela mensagem direta. Peço autorização a todos. A rede social virou essa coisa colaborativa, de um transbordar a coisa do outro, e acho importante tomar esse cuidado.

JB — Que tipo de retorno do público mais marca você?
Silô — A interação é muito boa. Há comentários como “você falou comigo”, “cada dia você me toca” ou “você despertou coisas em mim que eu não imaginava que sentia”. Fazer algo sem propósito não tem graça. O mais importante é fazer coisas com propósito, e esses comentários me marcam.

JB — Qual é o maior desafio para desenvolver seus próprios projetos?
Silô — Como diretor e tendo uma produtora, o mais desafiante é fazer um projeto seu. Uma frase que me toca é tratar a si mesmo como você trata o melhor cliente que ama. Tenho feito muita coisa autoral para isso acontecer, porque é um projeto do coração.

JB — Como a experiência de atuar e dirigir se complementa?
Silô — Ajuda muito, porque facilita. Na hora, já penso em como fazer, dirigir e em que caminho seguir. Há muita coisa que olho e digo: já fiz, já está pronto. Essa experiência ajuda muito.

JB — O que está no centro dos seus planos neste momento?
Silô — Priorizei esse desafio da internet. O principal desafio hoje é continuar, dar sequência às visualizações e às pessoas que estão curtindo o trabalho. Depois podemos pensar em outras coisas, inclusive na parte financeira. O maior desafio agora é conquistar as pessoas.

JB — Como define sua relação com Barueri?
Silô — Minha terra, meu lugar. Ter feito parte da inauguração da Praça das Artes com o espetáculo “É o Zé, Quem É?”, sendo de Barueri, foi muito legal. A cidade pulsa cultura, tem muita coisa boa e muita gente que saiu daqui ou se forma aqui hoje. Precisamos valorizar nossa terra. Amo Barueri, amo estar aqui.